Nesta AVI, teremos
dois poemas escritos pelo poeta brasileiro Mário Quintana, considerado “o poeta
das coisa simples”. Leia o primeiro deles e responda ao que se pede nas
questões de 01 a 05.
Canção de um operário triste (Texto1)
Na minha rua há um menininho doente.
Enquanto os outros partem para a escola,
Junto à janela, sonhadoramente,
Ele ouve o sapateiro bater sola.
Ouve também o carpinteiro, em frente,
Que uma canção napolitana engrola.
E pouco a pouco, gradativamente,
O sofrimento que ele tem se evola...
Mas nessa rua há um operário triste:
Não canta nada na manhã sonora
E o menino nem sonha que ele existe.
Ele trabalha silenciosamente...
E está compondo este soneto agora,
Pra alminha boa do menino doente...
Engrolar: pronunciar as palavras de forma imperfeita.
Evolar:
desaparecer por evaporação.
01. Se
pensarmos sobre a sequência textual que predomina (aquela que se
sobressai) no Texto 1, podemos afirmar que:
a) Trata-se de uma
narrativa, contando a história de um dia em que um garoto não foi a escola
porque estava doente.
b) O poema é um
texto que busca explicar formas diferentes de canções: canções entoadas e
canções silenciosas.
c) O poema argumenta
que poetas também são operários, apresentando fatos que comprovam essa tese.
d) O poema
descreve cenas que ocorrem simultaneamente durante uma manhã.
02. Como se
dá a relação do personagem principal com os outros personagens?
a) Ele se
relaciona por meio da audição.
b) Ele apenas
observa tudo através da janela.
c) Ele não se relaciona,
pois está doente.
d) Ele se relaciona
por escrito com o eu lírico.
03. Ao
analisarmos os versos da segunda estrofe do poema acima, percebemos que
eles são:
a) Versos livres e
com rima.
b) Versos regulares
e com rima.
c) Versos livres e
brancos.
d) Versos
regulares e brancos.
04. Quanto à
posição das rimas nas estrofes do Texto 1, podemos afirmar que:
a) Não há rimas, logo,
os versos são brancos.
b) Há rimas
alternadas nas duas primeiras estrofes.
c) Não há nenhuma
rima emparelhada no poema.
d) Há rimas
encadeadas na segunda estrofe.
05. Pensando
na relação entre o título e o conteúdo do Texto 1, podemos concluir que:
a) O poema fala de
uma canção que é entoada pelo operário triste.
b) O personagem
central do poema é o operário triste do título.
c) A canção
do operário triste não pode ser ouvida, pois ela não é entoada.
d) O eu lírico do
poema e o operário triste são pessoas diferentes.
Liev
Tolstói (Leon Tolstói) foi um famoso escritor russo, autor de obras como
“Guerra e paz” e “Anna Karenina”. Nos seus últimos dias, sua família redobrou
os cuidados com sua saúde e sua esposa via com preocupação e ciúmes a atenção
que ele dedicava aos seus discípulos. Em virtude disso, ele abandona o seu
estilo de vida aristocrático e foge de casa no meio de um rigoroso inverno. Um
dia depois de sua partida, morre de pneumonia na estação de trem (Gare) de
Astapovo. Leia o seguinte poema de Mário Quintana sobre esse ocorrido.
Poema da Gare do Astapovo (Texto 2)
O velho Leon Tolstói fugiu de casa aos
oitenta anos
E foi morrer na gare de Astapovo!
Com certeza sentou-se a um velho banco,
Um desses velhos bancos lustrosos pelo
uso
Que existem em todas as estaçõezinhas
pobres do mundo,
Contra uma parede nua...
Sentou-se... e sorriu amargamente
Pensando que
Em toda a sua vida
Apenas restava de seu a Glória,
Esse irrisório chocalho cheio de guizos e
fitinhas
Coloridas
Nas mãos esclerosadas de um caduco!
E então a Morte,
Ao vê-lo sozinho àquela hora
Na estação deserta,
Julgou que ele estivesse ali à sua
espera,
Quando apenas sentara para descansar um
pouco!
A Morte chegou na sua antiga locomotiva
(Ela sempre chega pontualmente na hora
incerta...)
Mas talvez não pensou em nada disso, o
grande Velho,
E quem sabe se até não morreu feliz: ele
fugiu...
Ele fugiu de casa...
Ele fugiu de casa aos oitenta anos de
idade...
Não são todos os que realizam os velhos
sonhos da infância!
06. Considerando
os aspectos relacionados à sequência narrativa do Texto 2, vemos que:
a) O
conflito gerador da história aparece após o sequenciador “E então”.
b) O espaço é
meramente temático, sem referências geográficas.
c) O poema tem o
foco narrativo em 1º pessoa.
d) Em todo o poema,
há apenas um personagem.
07. Com
relação a “Glória”, podemos afirmar que para o eu lírico do Texto 2:
a) É algo que não
tem relevância quando se é jovem.
b) É algo
que perde a relevância no final da vida.
c) É alcançada penas
por pessoas medíocres.
d) É algo que
sobrevive à morte.
08. O verso
“Ela sempre chega pontualmente na hora
incerta...” está entre parênteses porque
traz uma informação adicional sobre a morte. Segundo esse verso, podemos
afirmar que:
a) A morte sempre se
atrasa.
b) A morte não tem
hora pra chegar.
c) É possível prever
a hora da morte.
d) Existe
uma hora marcada pra morrer.
09. No final
do Texto 2, temos a repetição de “Ele fugiu”. Essa repetição indica que, para o
eu lírico, essa fuga representou algo:
a) rotineiro.
b) banal.
c) preocupante.
d)
surpreendente.
10. Ao
analisarmos a organização dos versos quanto à métrica e à presença de rimas,
identificamos que se trata de um poema em que os versos:
a) Versos livres e
com rima.
b) Versos regulares
e com rima.
c) Versos
livres e brancos.
d) Versos regulares
e brancos.