domingo, 31 de março de 2019

Questões sobre poema, texto narrativo e texto descritivo.


Nesta AVI, teremos dois poemas escritos pelo poeta brasileiro Mário Quintana, considerado “o poeta das coisa simples”. Leia o primeiro deles e responda ao que se pede nas questões de 01 a 05.

Canção de um operário triste (Texto1)

Na minha rua há um menininho doente.
Enquanto os outros partem para a escola,
Junto à janela, sonhadoramente,
Ele ouve o sapateiro bater sola.

Ouve também o carpinteiro, em frente,
Que uma canção napolitana engrola.
E pouco a pouco, gradativamente,
O sofrimento que ele tem se evola...

Mas nessa rua há um operário triste:
Não canta nada na manhã sonora
E o menino nem sonha que ele existe.

Ele trabalha silenciosamente...
E está compondo este soneto agora,
Pra alminha boa do menino doente...

Engrolar: pronunciar as palavras de forma imperfeita.
Evolar: desaparecer por evaporação.

01. Se pensarmos sobre a sequência textual que predomina (aquela que se sobressai) no Texto 1, podemos afirmar que:
a) Trata-se de uma narrativa, contando a história de um dia em que um garoto não foi a escola porque estava doente.
b) O poema é um texto que busca explicar formas diferentes de canções: canções entoadas e canções silenciosas.
c) O poema argumenta que poetas também são operários, apresentando fatos que comprovam essa tese.
d) O poema descreve cenas que ocorrem simultaneamente durante uma manhã.
02. Como se dá a relação do personagem principal com os outros personagens?
a) Ele se relaciona por meio da audição.
b) Ele apenas observa tudo através da janela.
c) Ele não se relaciona, pois está doente.
d) Ele se relaciona por escrito com o eu lírico.
03. Ao analisarmos os versos da segunda estrofe do poema acima, percebemos que eles são:
a) Versos livres e com rima.
b) Versos regulares e com rima.
c) Versos livres e brancos.
d) Versos regulares e brancos.
04. Quanto à posição das rimas nas estrofes do Texto 1, podemos afirmar que:
a) Não há rimas, logo, os versos são brancos.
b) Há rimas alternadas nas duas primeiras estrofes.
c) Não há nenhuma rima emparelhada no poema.
d) Há rimas encadeadas na segunda estrofe.
05. Pensando na relação entre o título e o conteúdo do Texto 1, podemos concluir que:
a) O poema fala de uma canção que é entoada pelo operário triste.
b) O personagem central do poema é o operário triste do título.
c) A canção do operário triste não pode ser ouvida, pois ela não é entoada.
d) O eu lírico do poema e o operário triste são pessoas diferentes.

Liev Tolstói (Leon Tolstói) foi um famoso escritor russo, autor de obras como “Guerra e paz” e “Anna Karenina”. Nos seus últimos dias, sua família redobrou os cuidados com sua saúde e sua esposa via com preocupação e ciúmes a atenção que ele dedicava aos seus discípulos. Em virtude disso, ele abandona o seu estilo de vida aristocrático e foge de casa no meio de um rigoroso inverno. Um dia depois de sua partida, morre de pneumonia na estação de trem (Gare) de Astapovo. Leia o seguinte poema de Mário Quintana sobre esse ocorrido.

Poema da Gare do Astapovo (Texto 2)

O velho Leon Tolstói fugiu de casa aos oitenta anos
E foi morrer na gare de Astapovo!
Com certeza sentou-se a um velho banco,
Um desses velhos bancos lustrosos pelo uso
Que existem em todas as estaçõezinhas pobres do mundo,
Contra uma parede nua...
Sentou-se... e sorriu amargamente
Pensando que
Em toda a sua vida
Apenas restava de seu a Glória,
Esse irrisório chocalho cheio de guizos e fitinhas
Coloridas
Nas mãos esclerosadas de um caduco!
E então a Morte,
Ao vê-lo sozinho àquela hora
Na estação deserta,
Julgou que ele estivesse ali à sua espera,
Quando apenas sentara para descansar um pouco!
A Morte chegou na sua antiga locomotiva
(Ela sempre chega pontualmente na hora incerta...)
Mas talvez não pensou em nada disso, o grande Velho,
E quem sabe se até não morreu feliz: ele fugiu...
Ele fugiu de casa...
Ele fugiu de casa aos oitenta anos de idade...
Não são todos os que realizam os velhos sonhos da infância!

06. Considerando os aspectos relacionados à sequência narrativa do Texto 2, vemos que:
a) O conflito gerador da história aparece após o sequenciador “E  então”.
b) O espaço é meramente temático, sem referências geográficas.
c) O poema tem o foco narrativo em 1º pessoa.
d) Em todo o poema, há apenas um personagem.
07. Com relação a “Glória”, podemos afirmar que para o eu lírico do Texto 2:
a) É algo que não tem relevância quando se é jovem.
b) É algo que perde a relevância no final da vida.
c) É alcançada penas por pessoas medíocres.
d) É algo que sobrevive à morte.
08. O verso “Ela sempre chega pontualmente na hora incerta...” está entre parênteses porque traz uma informação adicional sobre a morte. Segundo esse verso, podemos afirmar que:
a) A morte sempre se atrasa.
b) A morte não tem hora pra chegar.  
c) É possível prever a hora da morte.
d) Existe uma hora marcada pra morrer.
09. No final do Texto 2, temos a repetição de “Ele fugiu”. Essa repetição indica que, para o eu lírico, essa fuga representou algo:
a) rotineiro.
b) banal.
c) preocupante.
d) surpreendente.
10. Ao analisarmos a organização dos versos quanto à métrica e à presença de rimas, identificamos que se trata de um poema em que os versos:
a) Versos livres e com rima.
b) Versos regulares e com rima.
c) Versos livres e brancos.
d) Versos regulares e brancos.